capa udziwi 2019

NOTA EDITORIAL

Estimados (as) leitores (as) O Centro de Estudos de Políticas Educativas (CEPE) apresenta a Revista Udziwi número 32, com um total de quinze (15) artigos. O primeiro artigo, com o título “História da disciplina de Matemática da 5ª classe de 1975- 2016”, de Ana Zeca Nhamavure e Chadreque Alexandre Guambe, visa analisar as mudanças ocorridas na estrutura do Sistema Nacional de Educação desde 1975- 2016 que terão influenciado na estrutura do plano de estudo da Disciplina de Matemática da 5ª classe. Quanto a metodologia, recorreu-se a pesquisa bibliográfica e documental. Os autores consideram que ao nível dos conteúdos houve mudança na termologia usada no período de 1975-2004, pois os problemas retratavam o contexto do regime socialista.Quanto aos objectivos não houve alteração que mereça referência ao longo do período de 1975-2016. O segundo artigo, de Geraldo Deixa e Sidónio Calisto, intitulado “Um olhar sobre a Presença da História da Matemática nos livros didácticos e programas de ensino de Matemática de Moçambique” tem como objectivo compreender as perspectivas históricas presentes nos Livros Didácticos e Programas de Ensino de Matemática do Ensino Secundário Geral (ESG). Para a efectivação desta pesquisa foi feita uma pesquisa documental com enfoque qualitativo. Os autores concluíram que a História da Matemática é descrita na forma de factos históricos e essa apresentação pode confundir o aluno da história geral. Se o aluno não gosta da história geral, naturalmente não irá gostar da história da Matemática. E, constataram ainda que os PEM não deixam claro como é que os factos históricos da Matemática podem ser usados em sala de aulas. A falta de clareza pode levar ao professor a ignorar o uso da HM em sala de aulas. O terceiro artigo “A fotografia como meio didáctico em Geografia-Relato de uma experiência com estudantes de Licenciatura em Ensino de Geografia”, de Alice Castigo Binda Freia, tem como propósito analisar a fotografia como meio didáctico de 5 Geografia. Recorreu-se a pesquisa documental e bibliográfica. A autora concluiu que é possível ensinar Geografia através de fotografias desenvolvendo assim habilidades geográficas relacionadas com observação directa e descrição. O quarto artigo, de Vieira Mateus Morais, intitulado “Modelo de aula prática do campo de Geografia: o estudo da Bacia Hidrográfica no ensino Secundário no Lubango - Angola” visa propor um modelo metodológico que consiste num plano de aula prática de campo no estudo do tema: “Bacia hidrográfica” na disciplina de Geografia, no Ensino Secundário. Para a efectivação deste trabalho recorreu-se a observação directa, ao questionário e a experiência profissional do pesquisador na docência. O autor verificou que há fraca realização da aula prática de campo assim como não existe um desenho metodológico para o estudo do tema “Bacia hidrográfica” no ensino da Geografia na Escola do Ensino Secundário do Lubango. O quinto artigo “Jogo Didáctico: Uma Proposta Lúdico-Fonológica de Aprendizagem Inicial de Leitura e Escrita”, de Ângelo Niquice, tem como objectivo explicar a relevância do jogo didáctico na aprendizagem da leitura e escrita nos anos primeiros anos de escolaridade no contexto (social e escolar) moçambicano. Optou-se por um percurso metodológico misto de abordagem quanti (quali) tativa recorrendo, por um lado, à aplicação do questionário na busca de inferências mensuráveis, e por outro, o procedimento qualitativo-experimental decorrente da intervenção pedagógica e a consequente análise de conteúdo de grelhas de auto-supervisão, auto-reflexão. O autor revela que o fraco desempenho em leitura e escrita foi evidenciado pelo pré-teste. Os resultados da pesquisa apontam que no pós-teste, a média do desempenho aumentou de 45,6% para 61,7% (grupo experimental) e de 51,5% para 62,9% (grupo de controlo). O sexto artigo “O estilo informal como fenómeno linguístico no desenvolvimento da oralidade no ensino-aprendizagem da língua portuguesa”, de Ana David Verdial e Maurício Manuel Marquele, visa compreender as implicações deste no desenvolvimento da oralidade no Ensino-Aprendizagem da Língua Portuguesa. O estudo foi motivado pela constatação de que alunos da 12ª classe da Escola Secundária Joaquim Chissano, estabelecendo a comunicação entre si, no recinto escolar ou dentro da sala de aulas de língua portuguesa socorrem-se do estilo informal. Assim, a pesquisa 6 buscava saber das razões do uso deste estilo, num contexto de ensino de línguas em que se exige o cumprimento do estilo formal. Para esta investigação, aventaram-se duas hipóteses segundo as quais o ambiente social os tinha habituado a usar o calão e ou que as estratégias de ensino da oralidade usadas não fossem suficientemente eficientes para garantir que os alunos se comunicassem usando o estilo formal em sala de aulas. Assim, para se responder a estas perguntas hipotéticas, realizou-se o estudo qualitativo, baseado na análise e interpretação de conteúdos, e no privilégio da perspectiva monográfica, foi descrita a prática linguística informal dos alunos, tendo-se concluído que esta se deve ao modo como os professores abordam as suas aulas, bem como à forma como reagem diante dos erros cometidos pelos seus alunos. O sétimo artigo “História da Educação Especial, o caso das dificuldades de aprendizagem específicas: uma Revisão da Literatura” de Inês Rita e Benvindo Maloa, tem como objetivo fazer uma análise histórica das fases da Evolução das Necessidades Educativas Especiais.Como metodologia recorreu-se a revisão da Literatura de livros e artigos científicos que versam sobre o tema.Os autores concluiram que é possível assinalar um certo avança no ensino das crianças com NEE, ainda que a literatura aponta para a existência de um considerável número de professores que ainda não dominam a metodologia de ensino para alunos com NEE. O oitavo artigo, de Cecília Xavier e Mery António, intitulado “Evolução da disciplina académica, Psicopatologia infanto-juvenil, na Faculdade de Ciências de Educação e Psicologia” tem como propósito analisar a evolução, da mesma enquanto cadeira nos cursos de Psicologia. Optou-se por uma pesquisa documental.As autoras concluiram que a disciplina académica, Psicopatologia infanto-juvenil, não sofreu mudanças em relação aos conteúdos programáticos, as bibliografias, no entanto quando se visita os planos analíticos vê-se algo diferente do que está proposto no plano curricular. O nono artigo “Possibilidades de Enquadramento de Professores em Áreas Rurais”, de Roger González Margalef pretende abordar a desafiante questão do enquadramento de professores em zonas rurais.Recorreu-se a uma pesquisa documental. O autor concluiu que as possibilidades de enquadramento de professores em zonas rurais é um problema sério que não promete uma solução imediata, principalmente porque estamos 7 num mundo no qual os mercados de emprego são muito competitivos e o indivíduo desenvolve uma tendência de procurar as melhores condições de vida, que estão geralmente nas zonas urbanas, e fica em segundo lugar a necessidade de cooperar e fazer sacrifícios para o melhoramento das condições nas zonas rurais. O décimo artigo “O paradoxo entre a necessidade de formação de professores em Moçambique e a sua absorção no mercado de trabalho” de Amélia Lemos, tem como objectivo analisar o paradoxo entre a necessidade de formação de professores em Moçambique e a sua absorção no mercado de trabalho. Optou-se por uma pesquisa bibliográfica e documental. A autora concluiu que Moçambique tem razões mais do que suficientes para levar a cabo o desafio de formar professores que serão capazes de enfrentar as várias adversidades que enfretam na sala de aulas, a saber: falta de meios didácticos, turmas numerosas, falta de luz eléctrica, salas desprovida de carteiras ou falta de salas de aulas, heterogeneidade de línguas e culturas, ensino bilingue. O décimo primeiro artigo, de Edu rafael domingos manuel intitulado “Pertinência da inclusão de conteúdos relativos as necessidades educativas especiais no currículo de formação de professores do ensino básico 10ª classe +1 ano de formação”, tem como objectivo analisar a pertinência da inclusão de conteúdos relativos as necessidades educativas especiais no currículo de formação.O estudo é de natureza quantitativa, onde intencionalmente aplicamos inquérito por questionário a dez (10) professores de duas Instituições de Formação (Manga e Cheringoma – ambas na província de Sofala).O autor concluiu que desde a entrada em vigor do currículo de 10ª + 1 ano em 2008, actualmente ganhos se observam em termos de percepção que os professores têm sobre o processo educativo inclusivo de alunos com necessidades educativas especiais, contudo, muito ainda precisa ser feito, a começar por específica formação dos formadores em matéria de diagnóstico; trabalho colaborativo com outros profissionais e prática de actividades concretas de inclusão para tipos específicos de necessidades educativas especiais. O décimo segundo artigo “Política de formação de Professores: Desafios em Moçambique”, de Cristóvão da Elsa Sefane tem como objectivo analisar os desafios colocados a política de formação de professores em Moçambique, portanto 8 desenvolve-se neste estudo uma abordagem descritiva em torno da revisão bibliográfica e documental. O autor conclui que nos últimos tempos tem-se apontado a formação de professores como sendo uma causa da fraca qualidade nas aprendizagens apresentadas pelos alunos do ensino primário, no final do nível de ensino, facto que de forma geral não é de se negar, na medida em que a formação inicial atribuida aos professores é insatisfatória para corresponder a dinámica actual do ensino primário, tanto em termos de implementação das propostas curriculares, assim como para leccionar nas características actuais das escolas e das comunidades onde se envolvem os alunos, o que leva ao surgimento de novos desafios na formação de professores, como melhorar as instituições ou centros de formção que se dedicam a esta missão, em termos de programas mas dinámicos e contínuos, melhorar o modo de realizar o processo de ensino-aprendizagem transformando-os em modalidades práticas. O décimo terceiro artigo, de Manuel Guro, Juliano Neto de Bastos e Stela Mithá Duarte intitulado “Tensões Curriculares entre o Ensino Básico e a Formação de Professores Primários em Moçambique (1975-2016) ” tem como objectivo analisar as tensões curriculares entre o EB e a formação de professores para o Ensino Primário em Moçambique no período pós-colonial (1975-2016). Adoptou-se como metodologia a pesquisa bibliográfica, a análise documental e a experiência informada dos autores. O estudo constata que desde a introdução do novo currículo do EB, as instituições de formação de professores vêm actuando à margem das inovações curriculares do EB, ou seja, formam-se professores que não estão devidamente preparados para lidar com a sua futura função. Conclui-se que existem tensões entre o currículo do EB e o da formação de professores para esse nível de ensino. Sugere-se que as mudanças curriculares do EB sejam antecedidas pela adequada reforma curricular de formação de professores. O décimo quarto artigo, de Dani Bruno José Duvane, intitulado “Avaliação Educacional no contexto do Neoliberalismo: Breves Considerações teórico-metodológicas” têm como propósito demonstrar as influências do neoliberalismo na avaliação educacional, com maior enfoque na educação moçambicana. Em termos metodológicos, recorreu-se a uma pesquisa bibliográfica que consistiu na leitura e análise de livros, artigos, entre 9 outros que debruçam-se sobre a temática em alusão. O autor concluiu que a avaliação, quando utilizada como um instrumento de regulação pelo sistema neoliberal, não traz ganhos e nem torna a sociedade igualitária e justa, mas somente a controla a partir dos interesses desse sistema, criando desigualdades sociais, por meio da valorização da competitividade, onde os alunos, principalmente aqueles que não tiveram oportunidades, tem que fazer por merecer, pois para os neoliberais, todos são livres e tem acesso as mesmas chances. O décimo quinto artigo “Actuação da escola no contexto Neoliberal: entre tensões e desafios na construção da identidade global-local”, de Regina Agostinho Maluleque, visa compreender a actuação da escola no contexto neoliberal tendo em conta a construção da identidade global-local. Para a realização do estudo, optou-se por uma pesquisa bibliográfica e documental, assim como, a experiência informada da autora. A autora concluiu que a actuação da escola no contexto neoliberal é contraditória em prol da construção da identidade global-local, isto por que, só adere aos serviços educacionais de qualidade, os que tiverem uma liberdade económica. Por conta disso, gera desigualidades na medida em que privilegia uma classe social em detrimento da outra. A escola será relevante na medida em que apresentar uma gestão eficiente para competir no mercado global.O Estado, neste contexto, se atribui um novo papel o de regulador e avaliador e se desobriga da organização e gestão quotidiana do sistema. Notamos que os problemas sociais, econômicos, políticos e culturais da educação se convertem em problemas administrativos, técnicos, de reengenharia.

Desejamos a todos e a todas, uma óptima leitura!

Para baixar clique Aqui 

Contacte-nos

  • Endereço:
    REITORIA - Rua João Carlos Raposo Beirão nº 135 Maputo, Moçambique

  • Telefone: (+258) 21 30 67 09
    (+258) 21 32 08 60/2

  • Fax: (+258) 21 31 21 13

heraldica2

© 2017 CIUP - Centro de Informática da Universidade Pedagogica. Todos os direitos reservados.